Com a chegada do verão e a previsão de temperaturas elevadas em grande parte do país, o desconforto térmico dentro de casa volta a ser pauta. Ventiladores, ar-condicionado e janelas abertas ajudam, mas não resolvem tudo. O que pouca gente percebe é que a sensação de calor também pode estar relacionada a um fator permanente do ambiente: a cor das paredes.
A influência não é apenas subjetiva. Tons claros tendem a refletir mais luz e absorver menos energia térmica, enquanto cores escuras e muito saturadas acumulam mais calor e podem intensificar a sensação de abafamento, mesmo sem alteração significativa da temperatura real.
Atenta a esse impacto no dia a dia, a Suvinil selecionou uma série de cores que ajudam a criar ambientes visualmente mais frescos e confortáveis, especialmente em regiões de clima quente.
Branco como aliado do conforto térmico
O branco segue como uma das escolhas mais eficientes quando o objetivo é amenizar a sensação de calor. A explicação é física: superfícies claras refletem mais luz solar e retêm menos energia. O resultado é um ambiente visualmente mais leve, iluminado e arejado, sobretudo quando combinado com boa entrada de luz natural.
“O branco funciona muito bem no verão, mas também serve como uma base versátil para o projeto como um todo. Ele potencializa a luz, valoriza texturas e permite o uso de quadros, tecidos e plantas sem sobrecarregar o ambiente. Em climas quentes, esse equilíbrio visual ajuda a casa a ‘respirar’ melhor”, explica a arquiteta Natalia Salla.
Tons claros além do branco

Para quem prefere fugir do branco absoluto, tons claros e bem dosados também cumprem esse papel. Cores suaves mantêm a luminosidade, preservam a sensação de amplitude e ajudam a criar espaços equilibrados, mesmo nos dias mais quentes.
No quarto, por exemplo, a combinação de Papel Picado e Barbante funciona como um neutro quente: traz aconchego sem pesar, reflete bem a luz natural e mantém o ambiente visualmente leve. A proposta mostra que é possível amenizar a percepção de calor usando cor, sem recorrer apenas ao branco.
Azuis e cores frias como estratégia visual

Cores frias, especialmente em versões claras, também contribuem para o conforto visual. Azuis suaves, como o tom Rio Danúbio, remetem à água e ao céu, criando uma atmosfera mais tranquila e fresca. Quando usados com moderação, preservam a luminosidade e reforçam a sensação de leveza nos ambientes.
“No Brasil, pensar em conforto visual não é algo restrito a uma estação. Como o calor faz parte da rotina em muitas regiões, cores claras e equilibradas ajudam a criar espaços agradáveis ao longo do ano. Manter uma base neutra e inserir toques de azul é uma estratégia eficiente e duradoura”, afirma Natalia.
Fachadas também sentem o impacto da cor

A lógica se estende às áreas externas. Fachadas recebem incidência direta de sol ao longo do dia e, quando pintadas em tons claros, refletem mais luz e acumulam menos calor. Mesmo dentro de paletas quentes, optar por cores mais luminosas ajuda a reduzir a sensação térmica e torna os espaços mais confortáveis.
Na combinação de Jambo e Marfim Nobre, por exemplo, a fachada ganha cor sem pesar, mantendo uma leitura visual equilibrada e adequada ao clima brasileiro.
“No fim das contas, a cor transforma a forma como o espaço é vivido. É uma escolha simples, mas com impacto real no conforto e na experiência de morar”, afirma Sylvia Gracia, gerente de marketing, cor e conteúdo da Suvinil.
Quais cores usar com moderação
Quando a ideia é manter a casa visualmente mais fresca, vale cautela com tons muito escuros, como preto, grafite, marrom fechado e azul-marinho, que absorvem mais energia térmica. Cores muito saturadas — vermelhos intensos, laranjas vibrantes e amarelos fechados — também podem intensificar a sensação de calor quando aplicadas em grandes áreas. Elas não precisam ser evitadas, mas funcionam melhor em detalhes ou pontos específicos.
Dicas extras para reforçar o conforto
Além da pintura, outros elementos ajudam a melhorar o conforto térmico: tecidos leves como algodão e linho, cortinas claras que filtram a luz, boa ventilação e iluminação equilibrada. Plantas também contribuem para uma atmosfera mais agradável ao longo do ano.
“Cores com maior quantidade de branco na composição refletem melhor a luz e absorvem menos energia. Em um país quente como o Brasil, essa é uma decisão simples que faz muita diferença no dia a dia”, conclui a arquiteta.